LEIS DE DEFESA DOS ANIMAIS
7 DE SETEMBRO PROVEITOSO
Desde que Telma passou a fazer parte da UPAS – União de Proteção Animal de Salvador – que a entidade começou a ganhar visibilidade. Aproveito esse momento para parabenizá-la: Valeu Garota!
Nossa primeira presença no meio do povo foi na Festa do Bonfim e de lá pra cá Telma tem tido cada ideias ótimas, sempre procurando mostrar que a UPAS é atuante em participar de manifestações populares. Neste dia da Independência do Brasil, 7 de setembro, saímos para dizer ao que viemos, desfilando pelo grupo da exclusão social (cada um com sua queixa) com a nossa 1º MARCHA DOS ANIMAIS EXCLUÍDOS.
Sim, somos também excluídos sem nenhum constrangimento, representantes fiéis de todos os animais de rua ou daqueles que sofrem de maus-tratos. A verdadeira voz dos bichos que vivem na rua ou são vítimas de crueldade humana de qualquer espécie e por este motivo, clamamos do Poder Público, em outras palavras, do nosso senhor Prefeito de Salvador, soluções imediatas para controle populacional dos animais de cidade, sem precisar sacrificá-los e sim, fazer uma programação de castração que possa ser efetiva abrangendo todos os bairros.
Nosso protesto tem o objetivo de humanizar a convivência de uma maneira educativa, pois tudo passa pela educação, entre nós e eles, os animais de rua, que vivem sem o mínimo de assistência – inclusive dos Órgãos Públicos gestores – e muitas vezes sofrem judiação das pessoas que os qualificam como um ser qualquer, que estão na vida para servir de “saco de pancadas”. Temos de mudar essa consciência de achar que bicho é bicho somente. Saibam: Eles têm sentimento e também sentem o que passam. A dor não é exclusiva da gente, o animal também sofre com a mesma intensidade, entende?
O movimento a favor dos animais excluídos teve seu êxito e foi proveitoso na sua primeira festa nacional. A mídia resolveu saber que o era, do que se tratava e como nos organizamos, para ter numa manifestação popular pra mais de 80 pessoas, vestindo a camisa e defendendo a causa de maneira pacifica e significativa, marcando o desfile dos excluídos.
O Deputado Estadual pelo PT Rosemberg Pinto autor do projeto de Lei: Criação na Estrutura da SSP da Delegacia Especial de Proteção aos Animais do Estado da Bahia, já aprovado na Câmera, compareceu e veio nos desejar um bom desfile e também deu entrevista sobre como aconteceu do projeto ganhar força e ter apoio das ONGs, protetores e simpatizantes da causa animal. “O objetivo é fazer com que as ações sejam centralizadas em um único órgão que tenha o poder de fiscalizar e punir quem maltratar os animais” disse o deputado. A UPAS apóia o projeto.
A Delegacia Especial de Proteção aos Animais se faz urgente como mecanismo fundamental para o combate de toda e qualquer violência praticada com os animais. Um local para tão somente denunciar, como deter em cárcere privado o elemento (pessoa sem natureza afetiva nenhuma) que faz o animal participar de práticas de crueldades. Em Salvador, infelizmente o índice é crescente em cada esquina e número de protetores é insuficiente pra suprir a necessidade de evitar coisas como essa: Um absurdo, um extermínio animal!
A UPAS ganhou as páginas dos jornais e a internet mostrou que “devagar se vai ao longe”. A entidade levanta a bandeira da proteção animal juntamente com outras ONGs, como a Célula-mãe, Terra Viva, Cuidar é o Bicho, Movimento Vamos Adotar Um Cão, Vira-latas, Animal Viva, Pet Vet, Unidog. Estão todas de Parabéns pela iniciativa e propósito (perdão se esqueci alguma).
MATÉRIA DA TRIBUNA DA BAHIA - SULTÃO

A matéria saiu no jornal baiano, a TRIBUNA DA BAHIA, onde a protetora Ruth Nunes deu uma entrevista, sobre a situação de Salvador ter 100 mil animais abandonados nas ruas da cidade.
Na ocasião, foi citado o caso de "Sultão" como exemplo do descaso por uma situação que merece toda atenção do Poder Público.
Peço perdão a todos pela demora da postagem, mas "sultão" está tomando muito tempo da gente para recuperá-lo. Lembro ainda que as doações devem continuar, pois seu caminho ainda é longo... A seguir a matéria na íntegra:
TRIBUNA DA BAHIA: Editorial Cidade
Salvador tem 100 mil animais nas ruas
Reportagem: Roberta Cerqueira
Cães e gatos abandonados, feridos e muitas vezes à beira da morte nas ruas da capital baiana fazem parte da rotina dos soteropolitanos, porém a cena não deixa de sensibilizar quem vive na cidade e luta em favor dos animais. Organizações não-governamentais calculam que existam mais de 100 mil animais nas ruas de Salvador e outras centenas em abrigos superlotados.
Membro da União de Proteção Animal de Salvador (Upas), Ruth Nunes atendeu ao pedido de uma amiga e recolheu um pastor alemão que havia acabado de sofrer um atropelo. Batizado de “Sultão”, o animal não se mexe da cintura para baixo, tem inflamação nos olhos e não responde a estímulos nas patas traseiras. Suspeita-se de lesão na coluna.
A entidade da qual ela faz parte não tem condições de abrigar animais. Eles são encaminhados para clínicas veterinárias parceiras da instituição, onde são vacinados, vermifugados e em seguida levados para abrigos temporários, onde permanecem até que alguém aceite adotá-los.
“Esse é um caso muito delicado, pois o animal necessita de exames de raios-X, ultrassonografia abdominal, para investigar a extensão do comprometimento dos órgãos internos, como bacia, coluna e medula e provavelmente vai precisar de uma cirurgia e nós não temos condições de custear tudo isso”, conta ela, que solicita doações para ajudar o animal. Cada raio-x custa, em média, R$ 80 e a ultrassom, R$ 120.
Casos como o de “Sultão” são mais comuns do que parecem, segundo a advogada Petruska Barreiro, diretora-presidente da Associação Brasileira de Proteção Animal (ABPA) seção Bahia.
Com capacidade para 350 animais – sendo 250 cães e 100 gatos – o Abrigo São Francisco de Assis, administrado pela ABPA, tem hoje mais de 500 animais (331 cães e 180 gatos), a maioria vítima de maustratos, abandono e atropelo. “Não temos mais espaço para abrigar nenhum animal. Mesmo assim, eu recebo todos os dias mais de 30 ligações de pessoas que querem se desfazer dos seus bichos ou denunciar alguma situação de mautrato”, conta.
Através de um convênio com a prefeitura de Salvador, a ABPA castra entre 80 e 100 animais por mês. As demais despesas são pagas através de doações dos associados da entidade. “Nós gostaríamos, mas não temos condições de atender a todos, pois não dispomos de verba para tanto”, lembra.
ZOONOZES - De acordo com Marcelo Medrado, subcoordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a prefeitura realiza atualmente cerca de 250 castrações por mês, porém os animais devem ser acompanhados por uma pessoa que se responsabilize pelo pós-operatório.
“Os machos levam cerca de sete dias para se recuperar e as fêmeas, 15 dias. Ambos demandam cuidados especiais nesse período. Não temos como nos responsabilizar por isso”, explica.
A ausência de uma legislação que obrigue o poder público a dar maior atenção a esses animais, segundo ele, dificulta a captação de verbas destinadas para esse fim. “O que podemos fazer é a castração, para evitar que mais animais caiam nas ruas e sofram”, diz.
Medrado reforça que uma cadela tem, em média, dois cios por ano e pode gerar até 24 filhotes nesse período, enquanto os gatos têm até quatro cios e chegam a gerar 30 filhotes, porém, nas ruas, apenas 10% desses sobrevivem.
“Nós fazemos um trabalho de conscientização de guarda responsável, para que as pessoas entendam a importância de cuidar de um animal, mas muita gente pega o animal para criar e depois acaba desistindo, porque acha trabalhoso ou vai mudar de cidade e larga o bicho na rua”, diz.
Para a advogada Ana Rita Tavares, voluntária da ONG Terra Verde Viva, o número de animais castrados pela prefeitura não corresponde nem a 10% da necessidade da capital. “Temos mais de 100 mil animais nas ruas de Salvador, 250 animais castrados a cada mês é o mesmo que uma gota no oceano, sem contar que a maioria que precisa de castração é de comunidades pobres de Salvador, animais de pessoas que mal têm dinheiro para comer. Como vão levar um cão até uma clínica na Pituba?”, questiona.
CASTRAÇÃO - A criação de um centro de castração é o caminho para solucionar o problema, segundo Tavares. “O que vemos nas ruas de Salvador é um desrespeito ao meio ambiente, à saúde humana e ao ser humano, que também sofre com o sofrimento desses pobres animais”, denuncia ela.
Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre prefeitura de Salvador e Ministério Público, a gestão municipal deveria, além de promover a castração em massa e a educação para a guarda responsável, identificar animais de rua e domiciliares com microchips, entre outros itens de um total de 32 previstos no TAC.
Com apoio do Governo do Estado, a Célula Mãe chega a castrar 350 animais, por mês. “Se não fosse essa verba, conseguiríamos, com muito custo, fazer cerca de 100 cirurgias ao mês”, lembra Ivana Moura, que faz parte da comissão administrativa da entidade sem fins lucrativos.
A instituição dispõe de um espaço para abrigar apenas 20 animais recém-operados o que dificulta a realização de mais procedimentos. “A demanda é tão grande que acabamos levando algum animal para nossas casas”, conta.

